Menu de Navegação
Regicídio

Regicídio

Por em out 3, 2018 em História | 0 comentários

Regicídio

Em 1908, período da monarquia portuguesa em que o comandante supremo era o rei D. Carlos I, o povo português passava sérias necessidades enquanto vosso rei organizava banquetes e caçadas gastando muito dinheiro.
Crescia então um grande sentimento de descontentamento e indignação com a monarquia, alimentado ainda mais pelas atitudes autoritárias de João Franco, chefe do governo à época que encerrou o Parlamento e caçou todos que eram contrários ao governo.

Primeira Tentativa

No que ficou conhecido como o “Golpe do Elevador”, fracassado pela inconfidência de um conspirador, vários republicanos são emboscados ao entrar no elevador da Biblioteca ao tentarem chegar à Câmara Municipal.
Em resposta a este golpe, e como reflexo de um endurecer de postura por parte do regime, é proclamado o decreto de 31 de janeiro, onde o governo declara a todos que fossem pronunciados em tribunal por atentado á ordem pública, o exílio para o estrangeiro ou a expulsão para as colónias, sem julgamento.
Conta-se que, ao assiná-lo, o rei declarou: ”Assino a minha sentença de morte, mas os senhores assim o quiseram.”. É por muitos o estopim para o Regicídio

O Atentado

Estavam em período de férias em Vila Viçosa, no Alentejo, a família real composta pelo rei D. Carlos I, a rainha Dona Amelia e seus dois filhos, o príncipe herdeiro Luís Filipe e D. Manuel.
No dia 1 de fevereiro, um sábado, a família real volta de comboio (trem) à Lisboa e de lá entram em carruagem aberta com destino a “Praça do Comércio”, conhecido à época como “Terreiro do Paço”.
Quando a carruagem circulava junto ao lado ocidental da praça ouve-se um tiro e desencadeia-se o tiroteio. Um homem de barba, passada a carruagem, dirige-se para o meio da rua, leva à cara a carabina que tinha escondida sob a sua capa, põe o joelho no chão e faz pontaria. O tiro atravessou o pescoço do Rei, matando-o imediatamente.
Com precisão e sangue frio o atirador, mais tarde identificado como Manuel Buiça, volta a disparar. O segundo tiro vara o ombro do rei, cujo corpo decai para a direita, já sem vida.
Aproveitando isto, surge a correr em direção a carruagem um segundo regicida, Alfredo Costa, que pondo o pé sobre o estribo da carruagem, se ergue à altura dos passageiros e dispara contra o peito do príncipeLuís Filipe.
A rainha, já de pé, tenta parar o assassino com a única arma que dispõe no momento: um ramo de flores. O príncipe que fora atingido ainda tem forças para sacar do sobretudo uma arma que carregava consigo e disfere 4 tiros sobre o regicida que tomba da carruagem. Mas ao levantar-se, D.Luís Filipe ficara na linha de tiro do primeiro atirador. Buiça consegue atingir o príncipe com um tiro no rosto.
Buiça volta a fazer pontaria, mas é parado por um soldado da infantaria.
Com os regicidas imobilizados, o zelo excessivo dos polícias presentes levou a que acabassem abatidos no local, o que dificultou as posteriores investigações sobre o atentado. Segundo alguns relatos, Alfredo Costa já estaria moribundo, mas sabe-se que Manuel Buíça, mesmo ferido, resistiu à sua apreensão pela polícia.
Também vítima da polícia foi um cidadão inocente, Sabino Costa, empregado de ourivesaria e monárquico, provavelmente confundido com outro regicida oculto na multidão.
O condutor, a golpes de chicote, fez arrancar a carruagem, virando a esquina para a rua do Arsenal, procurando aí refúgio. É nessa altura que um atirador desconhecido ainda consegue atingir D. Manuel num braço (segundo outras versões, o tiro de raspão atingiu-o ainda antes de a carruagem virar para a rua do Arsenal, mas esse tiro já não podia partir dos dois regicidas mencionados, já imobilizados pela polícia).
A carruagem entra no Arsenal da Marinha, onde se verifica o óbito do Rei e o do Herdeiro do Trono.
A mãe de D. Carlos, a rainha D. Maria Pia, foi chamada ao Arsenal, onde encontrando-se com D. Amélia lhe diz desolada: “Mataram-me o meu filho.”, ao que esta respondeu: “E o meu também.”

Os regicidas

  • Manuel Buíça – Professor (1876-1908)
    Natural de Bouçoães, em Trás-os-Montes, fez carreira militar. Demitido do exército, passou a ser professor. Vivia em Vinhais, Bragança. Deixou uma carta, reconhecida por um tabelião quatro dias antes do regicídio, onde adivinhava o desfecho. “Meus filhos ficam pobríssimos; não tenho nada que lhes legar senão o meu nome e o respeito e compaixão pelos que sofrem. Peço que os eduquem nos princípios de liberdade, igualdade e fraternidade em que eu comungo e por causa das quais ficarão, porventura, em breve, órfãos.”
  • Alfredo Costa – Editor (1885-1908)
    Natural de Casével, em Castro Verde, fez propaganda republicana, foi caixeiro-viajante e fundou com Aquilino Ribeiro a Social Editora. Tal como Buíça, era membro da Carbonária.

Pós-Regicídio

Em retrospectiva, o regicídio é geralmente considerado como o fim efetivo do regime monárquico constitucional, sendo o golpe de 5 de Outubro de 1910 apenas a sua confirmação.
Após o atentado, João Franco, que não impedira a morte do Rei, pediu demissão. João Franco sabia-se alvo de atentados, mas nunca desconfiou que o ódio visava também o rei.
Presidindo ao Conselho de Estado, na tarde de dia 2 de fevereiro, com o braço ao peito e envergando o seu uniforme de aspirante da marinha, o novo rei D. Manuel II, com apenas 18 anos, confessou a sua inexperiência e falta de preparação e pediu orientação ao conselho.

Este votou a demissão de João Franco e a formação de um governo de coligação, a que se chamou o Governo “de Acalmação”, presidido pelo independente contra-almirante Ferreira do Amaral.
Com a falta de experiência, aliado a tomada de decisões erradas, a proclamação da república acontece 2 anos e meio depois, em 5 de Outubro de 1910, exilando o então rei D. Manuel II a Londres até o fim de sua vida.

Responder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *